O casamento de Pepe e Lupe

Naquele dia de primavera que já cheirava a verão, reuniam-se cerca de 50 pessoas para testemunhar um acto há muito desejado e planeado. Pepe, ao contrário do que era habitual, vestia a rigor. Um impecável fato com cheiro a novo, de toque sedoso, cobria o seu volumoso corpo, que naquele dia deixava de lado os odores a suor e trabalho árduo para dar lugar a odores perfumados e coloridos. Na sua boca ainda sentia o sabor da bebida, sem a qual as suas pernas não conseguiriam vencer o nervosismo. Plantado no altar improvisado ao ar livre, Pepe ansiava a chegada de Lupe.

O relógio marcava 12 horas quando um cavalo branco com asas surgiu no horizonte. Montada nesse cavalo vinha Lupe, vestindo um fato de treino lilás que parecia saber a rebuçado barato e umas sapatilhas daquelas que têm luzinhas laterais, emitindo uma luz sonora irritante.

De repente Pepe começou a ouvir uma voz que chamava: “Zé, Zé, estás bem?”. Abriu os olhos e viu-se rodeado de gente. O seu impecável fato matrimonial era um fato de treino condizente com o lilás da mulher gorda que chamava o seu nome. Olhou em redor e sentiu o cheiro a peixe. Depois a fruta. Estava confuso. Os carrinhos de supermercado amontoavam-se à sua volta e toda a gente parecia querer espreitar aquele homem desmaiado no chão.

Pepe era Zé. Lupe era Lurdes. Estavam no Continente de Matosinhos. A fazer compras. A um Domingo. Zé queria ser Pepe novamente. Fechou os olhos. E Lurdes chorou.

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