Escrita Criativa

Recentemente inscrevi-me num curso de escrita criativa. Nem sabia muito bem o que era isso, mas sempre gostei de escrever e queria fazer um curso que estimulasse esse prazer pela escrita e que me desse ferramentas para escrever mais e melhor.

Bastou uma pesquisa no Google para encontrar a Companhia do Eu. Depois de navegar pelo site, que sinceramente deixa muito a desejar de tão pouco intuitivo que é, lá acabei por encontrar o curso de escrita criativa tamanho M, que ia começar em Março. Então não perdi mais tempo, atirei-me de cabeça e inscrevi-me, sem saber muito bem para o que ia.

Bom, posso dizer que o curso correspondeu às minhas melhores expectativas. Para começar, o organizador e um dos formadores do curso, Pedro Sena-Lino (que também tem o seu blog), é fantástico e transmite uma dinâmica muito interessante às aulas.

Só para terem uma ideia, decorridos pouco mais de 5 minutos da primeira aula, o Pedro virou-se para nós e disse: “Agora imaginem que são uma aspirina efervescente e que estão a cair num copo de água. Têm 3 minutos para escrever um texto sobre o que está a pensar a aspirina enquanto cai”! Confesso que fui apanhado de surpresa e a única coisa que consegui escrever foi isto:

“Vou morrer. Vou ficar desfeita em bocadinhos. Será que vai ser mau? Talvez consiga desviar-me da água. Hmmm, mas isso parece um bocado difícil. Talvez se eu tiver uma conversa com a água consigamos chegar a um acordo. Estou cada vez mais próxima.”

Em todas as aulas temos que escrever sempre dois ou três textos, sempre com o tempo muito limitado. O nível das pessoas que frequentam as minhas aulas é elevado, vê-se que já têm alguma experiência de escrita e recursos que eu não tenho, mas estou lá é para me divertir e aprender coisas novas e para já tem sido uma experiência deveras interessante!

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Ser pai

Já que hoje é dia do pai, vou escrever aqui algumas palavras sobre o que é para mim ser pai. Para mim ser pai é a aventura mais fabulosa das nossas vidas. Todos os dias são uma caixinha de surpresas. Os nossos filhos surpreendem-nos a cada dia que passa, à medida que vão crescendo.

Infelizmente, pelo menos em Portugal, um pai participativo, que partilha com a mãe a educação e as tarefas diárias relacionadas com os filhos, ainda é mal visto. Homem que é homem não muda fraldas, nem dá banhos, nem dá a sopa ao bebé. Quem faz isso é a mãe. Se é preciso ir às vacinas com as crianças, a mãe que vá. Se é preciso ir ao pediatra, a mãe que vá.

Ora eu não me identifico minimamente com esta maneira de pensar. Dar banho aos meus filhos? Porque não? Faço isso todos os dias e com muito gosto. Mudar fraldas? Está certo que não é agradável, mas porque é que há-de ser apenas a mãe a fazê-lo enquanto o pai fica no sofá a ver futebol e a beber uma cerveja? Eu mudo diariamente as fraldas do meu filho e não tenho qualquer problema com isso. São momentos de partilha importantes e pelos quais todos os homens deveriam passar.

Observar os nossos filhos a crescerem, interagir com eles, vê-los a aprenderem, a brincarem é algo que eu não perderia por nada deste mundo. E esses momentos não se repetem, não voltam atrás. Têm que ser aproveitados agora.

Para mim não há melhor sensação do que chegar a casa ao fim da tarde, depois de um dia de trabalho, colocar a chave na fechadura da porta e começar a ouvir a minha filha a gritar “Pai, paaaaaiiiiii!” e a vir a correr para o meu colo.

Portanto para mim ser pai é…ser pai! É sê-lo de corpo e alma, não é só deixar os filhos na escola de manhã e só voltar a vê-los à noite, quando eles já estão provavelmente a dormir.

Bom dia do pai!

Fui ao shopping

Está um calor que não se pode, ninguém consegue respirar lá dentro, as lojas estão apinhadas, está um barulho infernal. O que eu acabo de descrever é o local predilecto dos portugueses para passarem os seus serões e fins-de-semana e onde eu tive a infelicidade de ter que entrar hoje à noite (presentes de última hora obrigam-nos a estas coisas). Estou a falar, claro, dos centros comerciais (ou shoppings, como queiram).

Odeio centros comerciais. Primeiro demorei 15 minutos a arranjar lugar para parar o carro. Dei voltas e voltas e voltas e não havia maneira de arranjar um lugarzinho que fosse. Todos os lugares que iam ficar livres já tinham um carro parado à espera de estacionar lá. E aquelas estúpidas luzinhas por cima dos lugares só nos enganam! Uma pessoa vê uma luz verde, pensa que tem um lugar livre, acelera por ali fora feito maluco e quando lá chega o lugar está ocupado, mas por alguma razão o carro não foi detectado.

Depois quando entrei lá dentro até me assustei, tal a quantidade de gente que lá andava. Mas esta gente não tem nada mais interessante para fazer numa sexta-feira à noite do que enfiar-se no centro comercial? Uma pessoa vai a Espanha e só se vê gente na rua, à noite. Pais, filhos, velhos, crianças, anda tudo na rua. Faça chuva ou faça sol, faça frio ou esteja calor. Nós não, resolvemos enfiar-nos nos centros comerciais.

Podemos encontrar lá de tudo. O casal de fato de treino, presença sempre importante e habitual neste locais. O fato de treino quanto mais roxo ou lilás fôr melhor. Encontramos também o grupo de teenagers, normalmente às três de cada vez e de preferência abraçadas ou de mãos dadas. E, claro, com a barriga à mostra, pois teenager que é teenager tem que ter a barriga à mostra, nem que esteja um frio de rachar. Falta também o casal bem vestido, ele de fato e gravata, ela toda aprumada como se fosse para uma festa. Depois temos os “grunhos”, normalmente atarrecados, que vestem calças de ganga, meias brancas, casaco de couro e camisa aberta a mostrar um fio dourado. A mulher é, regra geral, igualmente atarrecada, sobre o gorda, mal disposta e passa a vida a espancar os filhos (e parece que tem prazer nisso). Andam normalmente devagar e com as mãos nos bolsos.

E a praça da alimentação? Meu deus, eles são mais que as mães! Tirem-me deste filme! Filas e filas para comprar comida. O tamanho da fila normalmente proporcional à aproximação da ementa à gastronomia tradicional portuguesa. Ou seja, filas infindáveis naqueles sítios que vendem rojões e bifanas e qualquer coisa com arroz e batatas fritas. Filas pequenas naqueles sítios que vendem saladas e afins. Para comer arroz e batatas fritas mais valia ficarem em casa. Não percebo como é que alguém se pode sentir confortável num sítio daqueles. Enquanto almoçamos ou jantamos, se prestarmos atenção conseguimos distinguir 1436 vozes diferentes a falarem ao mesmo tempo e se pensarmos muito nisso começamos a dar em loucos. Eu por mim prefiro comer calmamente em casa, comida saudável acompanhada de uma música agradável. Ou então um restaurante acolhedor, com luz ténue, onde se coma bem e se possa conversar.

Falta, claro, falar do cinema, onde por acaso já não vou há séculos (quem tem filhos pequenos tem que abdicar de certas coisas). E em relação ao cinema só me ocorre uma coisa: quem é que consegue comer aqueles pacotes de pipocas do tamanho de uma criança de 3 anos e beber aqueles copos com 10L de Coca-Cola?

Bom, já devem ter percebido a ideia. Não me vou alongar mais.

Fui ao supermercado

Há uma coisa que me chateia nos supermercados. Antigamente éramos nós que colocávamos as compras nos sacos, o funcionário da caixa limitava-se a passar os produtos pelo leitor de código de barras. Entretanto a tecnologia foi evoluindo e os leitores de códigos de barras foram ficando mais rápidos e precisos. Isto fez com que o tempo de espera nas filas diminuísse. Óptimo! Não, esperem, alguém se lembrou de que se prestava um melhor serviço ao cliente colocando-lhe as compras nos sacos. Esta moda começou nos supermercados de proximidade, tipo Modelo e Pingo Doce, mas rapidamente se alastrou também aos hiperrmercados.

Ainda ontem fui fazer umas compras ao Continente (onde vou duas vezes por ano, detesto hipermercados) e a funcionária da caixa conseguiu demorar 5 minutos a colocar 3 coisas dentro de um saco. E ainda queria separar as compras em 2 sacos! E se há funcionários que até são rápidos a colocar as compras nos sacos, há outros que são um autêntico desespero, como a senhora que me atendeu.

Eu ainda compreendo que em supermercados tipo Corte Inglês se faça isto, pois são suspermercados premium, com pouca gente e portanto poucas filas de espera e que marcam a diferença no atendimento ao cliente. Mas nos supermercados “generalistas” isto não faz sentido. Primeiro demoramos muito mais tempo a ser atendidos, eliminando qualquer vantagem no facto de existirem leitores de códigos de barras ultra-rápidos e eficientes. Depois acabamos por levar muito mais sacos para casa, pois os funcionários de caixa gostam muito de dividir as compras pelo maior número de sacos possível, o que ecologiamente está errado. Já é mau darem-nos sacos de plástico em vez de nos obrigarem a trazer os nossos próprios sacos.

Enfim, deixo aqui um apelo: acabem com essa palermice de colocarem as nossas compras nos sacos e concentrem-se mas é em despachar o atendimento o mais rapidamente possível!