Os correios

Se há sítio onde eu não gosto de ir é aos correios. Eu tenho uma teoria sobre as filas nas estações dos correios, que é a seguinte: o tamanho da fila de espera é inversamente proporcional à complexidade dos assuntos a tratar. Esta teoria garante que, independentemente do número de pessoas que estão na fila, o tempo de espera é sempre o mesmo, ou seja, uma eternidade. Na prática, esta teoria traduz-se no seguinte: se estiver apenas uma pessoa na fila, o mais provável é que essa pessoa irá fazer uma das seguintes operações:

  • Entregar 500 cartas registadas com aviso de recepção;
  • Pagar as contas da água, luz e telefone dos últimos 3 meses, em dinheiro, a partir de envelopes separados para cada tipo de conta;
  • Receber a sua reforma mais a da vizinha que está de baixa porque tropeçou na esfregona e caiu pelas escadas a baixo e não pode vir aos correios. No fim ainda vai pedir para carregar 5 euros no telemóvel e vai pagar em moedas de 5 cêntimos;
  • Pedir para fazer qualquer coisa para a qual vai faltar qualquer documento e ficar os restantes 15 minutos a resmungar e a tentar perceber porque é que não pode fazer aquilo sem o dito documento.

No caso de estarem duas pessoas na fila, as operações serão qualquer coisa deste género:

  • Entregar 250 cartas registadas (sem aviso de recepção);
  • Pagar as contas da água, luz e telefone apenas do último mês, ainda em dinheiro, embora desta vez tudo do mesmo envelope;
  • Receber apenas a sua reforma, mas carregar na mesma 5 euros no telemóvel, embora desta vez com uma moeda de 1 euro e o restante em moedas de 10 cêntimos;
  • Pedir para fazer qualquer coisa para a qual vai faltar qualquer documento e ficar os restantes 7 minutos e meio a resmungar e a tentar perceber porque é que não pode fazer aquilo sem o dito documento.

E por aí em diante. Portanto, se a fila for de 10 ou mais pessoas, o mais provável é cada uma só ter uma cartinha para enviar.

Mas eis que surgem as boas notícias! Os correios agora têm um sistema de senhas (alguns já tinham, mas poucos), mas não é um sistema qualquer, tem direito a ecrã de plasma e tudo! Isto está a gerar grande entusiasmo na comunidade dos reformados, que já fazem excursões às estações de correios para ver o novo sistema em funcionamento, e porque não tirar uma ou outra senha só para experimentar a ver no que dá. Também há a velhota mal disposta que grita “Fuâgo, agora é preciso tirar séinha?” quando descobre que lhe passaram 30 pessoas à frente.

Enfim, novos motivos para continuar a ir aos correios. Pior, só mesmo as farmácias, mas isso fica para outra altura…

Prioridade à direita

Nunca percebi a regra da prioridade à direita. Por que raio é que um fulano que vai mudar de direcção, e por conseguinte vai ter que abrandar, há-de ter prioridade sobre alguém que vai a circular normalmente e é obrigado a parar para sua excelência passar? E depois há aqueles espertinhos que vêm pela direita mas querem virar para a esquerda (logo, perdem a prioridade para os que vêm da direita na via onde estão a entrar) e que se atravessam no meio do cruzamento, ficando ali parados a entupir o trânsito!

Bem sei que em muitos cruzamentos existe o sinal de cedência de prioridade, fazendo com que quem vem pela direita perca a prioridade. Mas quem circula na via principal não tem forma de ver o sinal, portanto ou bem que já conhece a via, ou então não tem outro remédio senão parar em todos os cruzamentos, pois caso contrário arrisca-se a levar com um fulano em cima e ainda tem culpa!

E se há casos em que até se pode perceber que quem vem pela direita tenha prioridade, há outros perfeitamente descabidos, em que vai uma pessoa feliz da vida numa avenida larga e os fulanos que vêm duma ruela estretinha pela direita têm prioridade e atravessam-se à nossa frente!

Não acho bem.

Antiguidades e Gelados

Já há uns tempos que descobri que existe na baixa do Porto uma loja de antiguidades que também vende gelados. Ora bem, isto é no mínimo estranho, levando-me a encontrar três explicações possíveis:

Explicação nº1: Os gelados estão lá para oferecer aos clientes enquanto eles passeiam calmamente pela loja, tipo: “Se quiser pode passar ali na arca dos gelados e tirar um geladinho para saborear enquanto visita a nossa loja”. Ou: “O Sr. está com cara de quem já comia um geladinho, não? Tome lá um Cornetto!”.

Explicaçao nº2: Os gelados são eles também antiguidades para venda. Talvez o dono da loja seja um indivíduo com olho para o negócio e tenha descoberto que existe todo um mercado de coleccionadores de gelados antigos por explorar. Diálogo na loja: “Tenho aqui um Epá de 89 em excelente estado de conservação! O único defeito é que a chiclete do fundo já tem um pouco de bolor…”.

Explicação nº3: Por muito que custe a aceitar, esta parece-me ser a explicação mais plausível e é a seguinte: a loja vende mesmo gelados. Não são antiguidades nem são para oferta. São gelados da época para quem quiser comprar. No mínimo estranho numa loja de antiguidades…

De que é que se irão lembrar a seguir? Loja de antiguidades com arca de peixe congelado?

Primeiro post

Toda a gente tem um blog, porque é que eu não hei-de ter? Foi mais ou menos isso que eu pensei na altura de criar este blog. Sendo assim, não vou escrever aqui nada de interessante e nunca vou actualizar este blog, por isso nem vale a pena cá voltar. O post mais recente vai ter sempre no mínimo 6 meses. Ou seja, este blog só vai servir mesmo para ocupar espaço na Internet, que qualquer dia rebenta pelas costuras.

Agora falando mais a sério (mas continuando a não ser muito a sério, porque isso é coisa que este blog nunca será), o que me levou a criar este blog foi o prazer pela escrita. Desde muito cedo que descobri que gostava de escrever, de contar histórias e só não fiz disso a minha profissão porque em primeiro lugar sou preguiçoso e em segundo lugar é difícil neste país viver confortavelmente da escrita. Além disso, tenho também outros interesses e portanto a minha vida profissional não tem nada a ver com a escrita.

Bom, mas voltando ao tema central, sempre gostei de escrever. Cheguei a escrever algumas pequenas histórias e quando alguém fazia anos gostava de inventar uns textos para oferecer a essa pessoa. Continuo a ter o sonho de um dia escrever um livro, que até já comecei a escrever, mas que não passou das primeiras páginas por pura preguiça!

De que é que vou falar então neste blog? Não sei ainda muito bem, mas provavelmente sobre tudo aquilo de que gosto: Tecnologia, Cinema, Música, Internet, Disparates, entre outros. Uma característica da minha escrita é o humor, portanto é natural que qualquer coisa que eu escreva tenha sempre a sua dose de humor, sendo não raras vezes um humor tão imbecil que ninguém vai achar piada a não ser eu.

Este blog será acima de tudo um blog pessoal, sem pretensões de vir a alcançar qualquer tipo de visibilidade. Todos os textos aqui apresentados serão escritos por mim, a não ser que esteja expressamente indicado o contrário.

Resta-me dizer que não garanto que vá manter este blog actualizado. Pode haver alturas em que esteja inspirado e com muito tempo livre e que escreva muito, mas poderá haver alturas em que esteja preguiçoso, sem tempo ou com falta de inspiração e fique semanas sem escrever nada. Portanto não assumo compromisso nenhum com o estimado leitor.

Seja então bem-vindo ao meu blog!